Botswana, Foto T.Abritta, 2008

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A Natureza em Galápagos


O Hood Mockbird (Mimus macdonaldi) ou Cucuve da Española, é uma espécie de pássaro na família Mimidae. É endêmico da Ilha Española nas Ilhas Galápagos, Equador, sendo uma das quatro espécies de Mockbird endêmicas deste arquipélago. Encontra-se em áreas secas e é onívora, embora seja principalmente carnívora. A espécie tem uma estrutura social altamente territorial e não tem medo de seres humanos. É a única espécie de Mockingbird de Galápagos que Charles Darwin não viu nem recolheu na viagem do Beagle.
O pássaro é considerado vulnerável na natureza pela Bird Life International, devido principalmente à sua reduzida área onde vive. O frágil ecossistema é de alto risco, agravado pelas condições climáticas adversas. Estima-se que haja menos de 2.500 aves na vida selvagem.
          Atualmente uma nova ameaça paira sobre esta espécie, que é sua evolução cultural, pois devido às dificuldades de obter água, aprenderam a pedir, agressivamente, este precioso líquido aos poucos seres humanos que encontram. A solução foi interditar parte de seu ecossistema aos seres humanos, pois esta dependência pode ser o fim da espécie.
          Na foto abaixo, vemos um destes pássaros obtendo água, depois de várias ameaças de bicadas.


Hood Mockingbird ou Cucuve de EspanõlaBaía Gardner
Ilha Espanõla, Galápagos. Foto T.Abritta, 2009.




domingo, 3 de setembro de 2017

O Peixe-Sol


Segundo a lenda, é um peixe que vive em águas abissais – abaixo de mil metros de profundidade – e que sobe à tona eventualmente para tomar sol, ficando um pouco atordoado.
Ao fazer o reconhecimento, em uma ponga (zodiac em inglês) – bote inflável de borracha com várias câmaras de ar –, pela Punta Vicente, na Ilha Isabela-Galápagos, em 2009, vimos aquela enorme sombra pouco abaixo do nível das águas.  Era a lenda do Peixe-Sol que se tornava realidade.  Pelo rádio foram chamados diversos biólogos e pesquisadores, mas até hoje nunca soube o nome científico daquele peixe.

Lenda ou Realidade?


Peixe Sol.  Foto T.Abritta.  Galápagos, 2009.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Estúdios Fotográficos nas Gerais


O Fotógrafo mineiro Francisco Augusto Alkmin (1886-1978), conhecido por Chichico Alkmin, montou na cidade de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, o primeiro estúdio fotográfico desta região.
O estúdio funcionava no porão de sua casa no Beco João Pinto.  Os cenários fotográficos eram montados com requinte, atapetados e decorados com painéis pintados pelo próprio fotógrafo que trabalhava com uma câmara de fole usando negativos de vidro com 13 x 18 cm.
Foi uma grande satisfação receber a notícia de que sua família preservou o rico acervo deste profissional, que foi acumulado durante vários anos, doando-o ao Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro. Este Instituto, que é uma Instituição de excelência em preservação e pesquisa fotográfica, realizará um trabalho completo de classificação e digitalização das centenas de negativos em frágeis placas de vidro, colocando este material ao alcance de todos os pesquisadores interessados.
Outra notícia sobre estúdios fotográficos em Diamantina, foi a exposição de Assis Horta, hoje com 99 anos, que por vários dias mostrou no Centro Cultural BNDES, em 2007, no Rio de Janeiro, fotos, câmeras, materiais de laboratório e equipamentos de estúdio deste profissional. 
O trabalho de Assis Horta foi também impulsionado pela necessidade dos trabalhadores obterem um retrato 3x4 cm datado, conforme normas da legislação trabalhista implantada na época.
Estes fatos me remeteram à fotografia que ilustra a capa do meu último livro intitulado Jequitinhonha (ver Figs. 1, 2 e 3).
A fotografia usada na capa do livro, tirada em 1945, foi provavelmente feita no estúdio de um destes fotógrafos.
Observando o fundo dos painéis que decoravam os cenários das fotos, identificamos facilmente que a foto da capa de Jequitinhonha foi feita por Assis Horta. 

Forte emoção neste encontro fotográfico com um “personagem” vindo dos tempos desta grande jornada por Jequitinhonha.


Figura 1 - Capa do livro Jequitinhonha.


Figura 2 - Fotografia usada na capa do livro Jequitinhonha. 
Diamantina, 1945.  Acervo Teócrito Abritta.


Figura 3 - Foto em Estúdio por Assis Horta.





domingo, 20 de agosto de 2017

O Corrupião


                    Augusto dos Anjos

Escaveirado corrupião idiota,
Olha a atmosfera livre, o amplo éter belo,
E a alga criptógama e a úsnea e o cogumelo,
Que do fundo do chão todo ano brota!

Mas a ânsia de alto voar, de à antiga rota
Voar, não tens mais! E pois, preto e amarelo,
Pões-te a assobiar, bruto, sem cerebelo
A gargalhada da ultima derrota!

A gaiola aboliu sua vontade. 
Tu nunca mais verás a liberdade!...
Ah! Tu somente ainda és igual a mim.

Continua a comer teu milho alpiste.
Foi este mundo que me fez tão triste,
Foi a gaiola que te pôs assim!


Papagaios cativos no banheiro de um sórdido bar.  
Santa Cruz de Cabrália, Porto Seguro, BA.  Foto T. Abritta, 2009


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A dor e o papelório


          Muitos não entenderão a relação entre dor e papelório.  Nas primeiras páginas do conto Memória Intrusa, publicado em Os Meus Papéis, metaforicamente falo desta relação:

A pilha de livros, recortes de jornais, artigos e anotações avoluma-se sobre a mesa.  Já começa a “escorrer” e derramar-se sobre o chão como um rio de papéis.  Naquele canto, livros de Neruda – páginas e mais páginas marcadas com pedaços de papel.  Adiante, obras de Saramago, ensaios de Susan Sontag e várias edições do conto A Galinha Cega, de João Alphonsus.  No sofá, pastas com compilações do poema O Guesa e até mapas, bem como obras sobre Geografia e até fotografias de viagem. 
          Muita confusão.  Tal peregrino de verdades duvidosas, procurava um rumo entre tanto papelório...

          No decorrer de nossas vidas acumulamos tantos objetos, papéis, livros etc.  Muitos sem interesse geral.  São mais peças sentimentais, referências de nossa memória. 
          Nos últimos anos transformei grande parte deste espólio em crônicas publicadas em livros e jornais.  Mas o resíduo, tanto digital, como físico ainda é grande.  Aos poucos vou rasgando papéis, que mesmo sabendo da sua inutilidade, causam grande dor.  Posso me despedir de apenas  alguns por dia
          Ontem a dor foi maior, pois resolvi pedir o cancelamento do e-mail do meu antigo trabalho que estava inativo há muito tempo. 
          Examinei a caixa de mensagens, pessoas há tanto tempo desaparecidas lá estavam, com suas palavras, vivas como nunca. 
          Não resisti e copiei algumas das mensagens.  Abaixo reproduzo duas delas.  Uma gratificante e outra mostrando a indignidade humana:

Ler também:



segunda-feira, 3 de julho de 2017

Retratos



Eu não tinha este rosto de hoje
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios
Nem o lábio tão amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil,
Em que espelho ficou perdida
A minha face?

Cecília Meireles


Caros amigos, cada vez mais me recupero das mazelas que me acometem há alguns meses, desde a última e quarta cirurgia ocular – retirada de tumor e quimioterapia –, até a “desconfiguração total de meu sistema” devido a um tratamento de doença autoimune muscular que me acompanha há dezoito anos.  Assim que estiver em condições ótimas, convido-os, antecipadamente, para a festa de lançamento dos meus livros Jequitinhonha e Scriptorum (poesia-versão digital), com um belo prefácio-ensaio de Olga Savary.
Abraços para todos e inté lá!


Foto 1. Chegada da Cirurgia. 1 de março de 2016.



Foto 2. Saindo por aí... 1 de julho de 2017.




sexta-feira, 23 de junho de 2017

Templo de Deir-El-Bahari



Este templo foi construído no Vale das Rainhas, no Egito, pela Rainha Hatchepsout e dedicado aos Deuses Amon, Hathor e Anubis, Deus da Morte.  Na foto podemos observar uma pintura de Anubis no interior do templo, obtida sem flash, apenas iluminada por uma réstia de luz natural.  Observe a nitidez e intensidade das cores, ainda originais, sem nenhuma restauração. Este Deus era representado por um cão.


Anubis. Foto T.Abritta, 1990.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Hathor


...a deusa do amor e prazer da antiga mitologia egípcia (a Vênus Egípcia).  Esta divindade tem a aparência, ora de uma linda mulher, ora de corpo feminino encimada por uma cabeça de vaca  e uma generosa anatomia para o prazer.



 Hathor – Vale dos Reis, Templo Deir El-Bahari, Egito.
Foto T.Abritta, 1990.

sábado, 3 de junho de 2017

Vênus Calipígia


Na fotografia abaixo, mostramos visitantes do National Archaeological Museum, Nápoles, Itália, admirando a escultura da Vênus Calipígia, que suavemente levanta suas vestes de modo a exibir suas nádegas, presenteadas por Zeus, que em troca de “favores sexuais ilícitos” prometeu-lhe as mais lindas nádegas que uma mulher pode almejar.
Ah, estes gregos...

Foto David Seymour, 1952.



segunda-feira, 24 de abril de 2017

A Arte não é Fôrma é Forma.


          Uma bela e criativa imagem com apenas quatro elementos: o céu, o mar, os negros cabelos da modelo em continuidade com a forma e cor de seus trajes que são emoldurados por suas curvas e perfeição de sua pele.


Foto Herb Ritts.


domingo, 9 de abril de 2017

Placidez Absoluta


To the beach, Foto Paul Huf, Holland, 1953.

Lembrei-me de um haicai de Olga Savary:

PAZ
Assim tão exata
sem se assemelhar a nada
sendo vária e vaga.


Como "carrear" um carro de boi com quatro juntas


Olhem que interessante: uma lição de como "carrear" um carro de boi com quatro juntas. Vai um menino como "guia", na frente e o "mestre carreiro" percorre as juntas de boi para travar ou diminuir a velocidade.
Foto que fica na recepção do Hotel Cataguases, Cataguases-MG, datada de 1952.

No fundo da foto, o Hotel de construção modernista.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Imensidão Amazônica



                                    Imensidão Amazônica.  Alta Floresta – MT. 
                                           Foto T.Abritta, 2005.

          Imagem obtida do alto de uma torre de observação a cinquenta metros de altura.  Notem que a altura máxima de gigantescas árvores, como o Jequitibá, é de uns quarenta e cinco metros.
Esta torre é usada para estudos de condições atmosféricas gerais e climáticas locais, a par do estudo do micro ecossistema próximo da copa das árvores, estando conectada, via satélite, a uma rede mundial de estudos das consequências das mudanças climáticas.
          Na defesa deste patrimônio ameaçado é importante observar que partidos, como o PCdoB, pensam exatamente como Trump em suas atitudes de devastação ambiental.  Assim como atualmente nos Estados Unidos a Natureza está seriamente ameaçado, por aqui o PCdoB aliou-se, no Congresso Nacional, aos criminosos ambientais para desfigurar o Código Florestal, causando grandes danos ambientais.
          Enquanto Trump afirma que Aquecimento Global é invenção dos chineses para prejudicar a economia americana, Aldo Rebelo, do PCdoB, quando ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo Dilma, dizia que era “coisa” do capitalismo mundial para prejudicar o Brasil.


Uma plataforma intermediária da torre de observação.


Jequitibá.  Alta Floresta – MT.  Foto T.Abritta, 2005.





sábado, 28 de janeiro de 2017

O Caronte do Amapari


          Para os antigos gregos, um dos lugares mais remotos seria o mundo infernal, que era situado no interior da Terra.  Sua entrada era localizada em Cumas, região vulcânica perto do golfo de Nápoles.  Para a travessia do mundo dos vivos para o mundo dos mortos as almas deviam atravessar, na barca de Caronte, o Aqueronte, um dos cinco rios infernais.


O Caronte do Amapari.  Foto T.Abritta, 1999.

          E para nós, o que seria o lugar mais remoto deste Mundo?  Bem, isto depende da experiência de cada um.
Do ponto de vista geográfico, eu pensaria como sendo um lugar inabitado e afastado de qualquer povoação.  Neste sentido poderia ser o ponto localizado na superfície do Oceano Ártico e chamado de Polo Norte de Inacessibilidade com coordenadas 84·1°N, 174·8°W.  Este ponto fica a 1100 km de qualquer litoral e foi sobrevoado pela primeira vez em 8 de abril de 1941 por Ivan Cherevichny em um avião da antiga União Soviética.
          Mas para mim, dentro das minhas experiências e sensações de viagem, o ponto mais remoto do Mundo é a região das nascentes do Rio Amapari, no Estado do Amapá, devido não só às dificuldades de acesso, como a sensação de penetrar em um Mundo intocado e na época pouco conhecido.

          A viagem começa em Macapá, onde embarcamos em um trem da Estrada de Ferro do Amapá, que pertencia à antiga companhia mineradora que explorava manganês na Serra do Navio.  São 220 quilômetros por florestas, alagados e pequenas povoações ribeirinhas.
          O ponto final da viagem é a Vila de Serra do Navio, que após o esgotamento das jazidas de manganês, foi cedida aos antigos operários e a ferrovia entregue ao Estado.  Hoje tentam desesperadamente sobreviver no meio da selva.
          A próxima etapa, para evitar as “varações” – carregar as canoas em trilhas pelas matas para contornar as cachoeiras do Rio Amapari –, foi uma viagem de algumas horas pelas ruínas de um pequeno trecho do que seria a BR 210 (Perimetral Norte), felizmente abandonado e transformado em montes de terra e barro pela ação do tempo.
          A partir daqui, apenas o esplendor da Natureza com o Amapari intocado.  E nós sempre guiados por um hábil piloteiro – aquele que opera o motor de popa –, orientado pelo “proeiro”, que se equilibrando em pé, através de elegantes gestos, indicava a rota do barco, que ia a grande velocidade contornando pedras e troncos nas águas.
          Assim adentramos nas terras dos Waiãpi, felizmente hoje protegidas pelo Parque Nacional Montanhas do Tucumaque.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O Brasil que vale a pena.


          Este país tem tantas coisas e pessoas interessante e boas, que é uma lástima que tenhamos que perder tanto tempo lutando contra excrescências que pululam nestas cortes e parlamentos ditos supremos.  Mas, como ninguém é de ferro, falemos dos rostos alegres e humanos que vivem nos fundões do Brasil e que muitos, infelizmente, não conhecem.
          Esta história ocorreu nos meados dos anos 90.
O pequeno avião voava rente às copas das gigantescas árvores.  Macapá ficava para trás, a paisagem de alagadiços e florestas se impunha.  Éramos uns oito, quase todos de São Paulo.  Naqueles tempos, viagens como esta eram desqualificadas pelos Cariocas: “Pô, isto é programa de índio...”. 
          A chegada em Oiapoque foi emocionante – quem não se lembra das antigas aulas de Geografia: “O Brasil vai do Oiapoque ao Chuí”?
          Nem tivemos tempo de passar no hotel.  O jeito foi alugar um ônibus caindo aos pedaços e irmos almoçar com o comitê de recepção. Todas as autoridades – claro, as importantes –, estavam presentes: o prefeito-índio, o capitão comandante do batalhão de guerra nas selvas, sua esposa e filhinha; o piloto e copiloto do avião, a recepcionista do aeroporto – que foi fechado – e os dois sargentos operadores do radar do Cindacta, que foi deixado no modo automático.
          Depois do almoço passeamos de canoa pelo rio Oiapoque, conhecemos suas cachoeiras, visitamos a Guiana Francesa e após muito esforço, praticamente empurrando o ônibus por caminhos lamacentos, chegamos a uma aldeia indígena.
          Todos pareciam ter sido abduzidos.  Era uma transmissão especial, via satélite, do último capítulo de uma novela da Globo...

          O único rosto amigável foi da indiazinha que apareceu na janela.


Oiapoque, AP. Foto T.Abritta.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Por trás da Imagem


          Examinando velhas fotos lembrei-me desta.  Foi tirada em 1992, na cidade de Marrakesh no Marrocos.  Andava pelas ruas desta cidade e achei interessante este enorme portão.  Ao clicar uma foto, de imediato percebi ter cometido séria ofensa.  Um dos soldados, de imediato, veio na minha direção e, com ar aparvalhado, falou-me:
-“O senhor tirou uma foto?”
          - “Mas o Rei está presente!”
          A minha vontade era dizer: “E daí? Como iria saber?”
          Mas a prudência falou mais alto e convenci o soldado que não seria necessário apreender o filme. 
          Estava usando uma velha câmara manual Olympus OM-1.  Simplesmente voltei o filme uns dez fotogramas e bati umas cinco fotos do chão.  Com o soldado convencido de que a imagem do sacrilégio havia sido destruída, avancei uns seis quadros e continuei o meu caminho até a revelação final!
          Histórias “fotográficas”...



Marrakesh, Marrocos.  Foto T.Abritta, 1992.